23 set Cotado para ser titular contra o Ceará, Dedé pede confiança em veteranos do Cruzeiro


Cruzeiro pode ganhar um importante reforço para o jogo de quarta-feira, às 19h30, no Castelão, contra o Ceará, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. Recuperado de uma torção no tornozelo direito que o tirou dos jogos contra Grêmio, Palmeiras e Flamengo, Dedé tem chances de voltar à zaga no lugar de Cacá. Visivelmente abatido pela fase do clube – 18º colocado, com 18 pontos e vindo de três derrotas – , o defensor de 31 anos claramente mediu suas palavras na entrevista desta segunda-feira, na Toca da Raposa II, e fez um diagnóstico do que mais carece o time no momento: confiança.

Embora o Cruzeiro tenha se notabilizado em 2017 e 2018 por conquistar a Copa do Brasil, Dedé destacou a história de muitos jogadores do elenco no Campeonato Brasileiro. Alguns, como ele, Fábio, Rafael, Henrique, Leo e Egídio, foram bicampeões pelo clube em 2013 e 2014. Outros ergueram essa taça com outras camisas. Justamente por isso, o zagueiro vê a necessidade urgente de reerguer os veteranos mentalmente.
“O ruim é que a gente viveu muitos momentos lá em cima da tabela, e está vivendo esse momento, mas tem que lembrar que esse elenco tem grandes jogadores, jogadores campeões, não só em competições de mata-mata, mas pontos corridos. Me refiro a Fred, Thiago Neves, eu, Leo, Henrique, Fábio, Rafael, Robinho, Edilson. Temos um elenco farto de grandes jogadores, que são vencedores. Uma das coisas que acho que o nosso time precisa é ganhar essa confiança, e para ganhar a confiança a gente tem que fazer cada jogador lembrar do potencial, da capacidade de vencer”, alertou.

Não posso perder um Thiago Neves, que deu um título para o Cruzeiro, um título não, que foi importante nos dois títulos da Copa do Brasil, fora os dois Mineiros. Não posso perder o Edilson, que, pra mim, é um dos melhores da posição. Não vive boa fase hoje, como ninguém no Cruzeiro vive boa fase. Mas, do grupo do Cruzeiro, da instituição, foi o cara mais próximo de ter ganhado a Libertadores, também foi campeão da Copa do Brasil e do Mineiro com a gente. (…) Não posso deixar de citar esses jogadores que são muito importantes, como Sassá”, acrescentou Dedé.

Time

Em relação à formação do Cruzeiro para enfrentar o Ceara, em Fortaleza, as principais dúvidas estão no meio-campo, entre Ederson e Dodô, e no ataque. Ezequiel, Marquinhos Gabriel, Pedro Rocha, Fred e David disputam três vagas à frente.
O provável time para quarta-feira é Fábio; Orejuela, Dedé, Fabrício Bruno e Egídio; Henrique, Ederson (Dodô); Ezequiel (Marquinhos Gabriel), Thiago Neves e Pedro Rocha (Marquinhos Gabriel); Fred (Pedro Rocha).
Com mudanças táticas e de ordem técnica, ainda não será contra o Ceará que Rogério Ceni repetirá a equipe do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro. Em seis jogos, ele escalou seis formações distintas.
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Dedé evitou fazer juízo sobre a estratégia do comandante.  “Eu acho que isso é um método do Rogério de trabalhar. Pra mim, eu conheço todos os jogadores, sei trabalhar com todos, sei como conduzir todos, todos me respeitam quando falo, até extrapolo em cima de algumas coisas. É uma forma de trabalhar do Rogério. Negativo, eu acho que não é o correto de se falar, mas acho que o Rogério sabe o que está fazendo, pensa muito antes de se trabalhar, de montar a equipe, e a gente está tentando fazer o nosso melhor para dar o melhor resultado para o Cruzeiro”, concluiu o defensor.

Os principais trechos da entrevista de Dedé:

Retorno

Ruim, agoniante ficar de fora. Depois daquela entorse, que graças a Deus não foi tão mais grave do que foi mostrado na revisão. Voltei bem, voltei rápido pro campo e feliz de poder estar à disposição no treinamento. Esse momento está sendo complicado pra gente, conturbado também, assim, não só extracampo, mas internamente, por nós assim, mas a nossa cabeça fica muito cheia, né? A gente pensa logo nos outros adversários para tentar uma vitória e sair dessa situação. Então, acho que momentos assim que a gente precisa muito de ter calma, sabedoria, inteligência, para fazer jogos. Esse tipo de jogos.

Qualidade do elenco

O que eu acho que nosso time está esquecendo é da qualidade que temos, da forma que nosso time jogou, já jogou e o que tem para mostrar mais ainda. Acho que é uma situação que apaga muita coisa, que nos dá uma intranquilidade, até uma falta de confiança. Mas eu acho que é nesse momento, que a gente, com uma rapaziada um pouco mais experiente, tem que ter sabedoria para orientar, para trabalhar para melhorar essa confiança.

Riscos na saída de bola

Eu mesmo, contra o Inter, errei muita bola. Até o lance do gol, caracterizou com um passe por dentro, uma má decisão minha, mas um erro consertável, eu acho. Contra o Flamengo, um erro mais próximo, onde foi muito cirúrgico. Hoje, com a experiência que eu tenho, acho que não podemos dar chance ao azar, dar mais margem ao erro. Entendo até e sei da qualidade que a gente tem para sair jogando, mas eu acho que temos que estar bem firmes para fazer uma jogada de saída de bola. E uma saída de bola tem que ser muito segura, é momento que a gente não pode errar, dar vacilo. A gente tem trabalhado, tem melhorado nesse fundamento, com o tempo a gente vai ter essa situação de saída de bola um pouco melhor.

Humildade nos jogos

É um momento que a gente tem que sair dessa situação, jogar de igual para igual, com toda humildade, respeito às outras equipes, com certeza que elas terão o mesmo respeito com a gente. Pensar da grandeza que o nosso clube tem, por mais que a gente esteja lá embaixo, acho que essa humildade de saber jogar partidas assim nessa parte da tabela, a gente tem que se doar mais, um pouco mais. A parte de baixo da tabela gera a situação bem parecida de quem está em cima, não dar chance para quem está embaixo alcançar, sempre dar a vida para vencer, para lutar. A gente está nessa decisão, não podemos deixar quem está em cima afastar tanto. É decisão a todo momento.

Campeões no grupo

O ruim é que a gente viveu muitos momentos lá em cima da tabela, e está vivendo esse momento, mas tem que lembrar que esse elenco tem grandes jogadores, jogadores campeões, não só em competições de mata-mata, mas pontos corridos. Me refiro a Fred, Thiago neves, eu, Leo, Henrique, Fábio, Rafael, Robinho, Edilson, temos um elenco farto de grandes jogadores, que são vencedores. Uma das coisas que acho que o nosso time precisa é ganhar essa confiança, e para ganhar a confiança a gente tem que fazer cada jogador lembrar do potencial, da capacidade de vencer. E qualquer adversário pra gente é muito bom, é grande time, e tudo que a gente for jogar, é dar a vida, mostrando a cara, ter personalidade, é só assim que a gente vai vencer.

Ceni ainda não repetiu time

Então, eu acho que isso é um método do Rogério de trabalhar. Pra mim, eu conheço todos os jogadores, sei trabalhar com todos, sei como conduzir todos, todos me respeitam quando falo, até extrapolo em cima de algumas coisas. É uma forma de trabalhar do Rogério. Negativo, eu acho que não é o correto de se falar, mas acho que o Rogério sabe o que está fazendo, pensa muito antes de se trabalhar, de montar a equipe, e a gente está tentando fazer o nosso melhor para dar o melhor resultado para o Cruzeiro.

Jogos contra Ceará e Goiás

Com certeza, acho que temos que começar (a vencer) agora, não tem outra saída. O time tem que brigar pela vitória, esse jogo vai ser muito difícil, mas condições a gente tem que vencer. É um adversário acima da gente e próximo. A tabela está bem apertada ali na parte de baixo, ruim é quem está na zona de rebaixamento, mas é momento de dar essa reviravolta. É segundo jogo do segundo turno. Como a gente não foi tão bem, falando melhor, como a gente foi muito mal no primeiro turno, a gente está tendo essa chance de fazer um segundo turno muito bom. Vimos assim no ano passado, o Ceará fez essa reviravolta no segundo turno, ter base disso, usar bastante todos os jogadores, principalmente usar a experiência de quem puder. E a gente vai reverter, a gente vai sair dessa situação se Deus quiser.

Oscilação do Cruzeiro no ano

Não tem como a gente falar, o principal motivo é que a gente perdeu confiança para render. Está todo mundo abalado, baqueado com a situação nossa. Temos que reverter isso e o caminho mais próximo de fazer o time render é voltar a confiança de todos. Não posso perder um Thiago Neves, que deu um título para o Cruzeiro, um título não, que foi importante nos dois títulos da Copa do Brasil e fora os dois Mineiros. Não posso perder o Edilson, que, pra mim, é um dos melhores da posição. Não vive boa fase hoje, como ninguém no Cruzeiro vive boa fase. Mas, do grupo do Cruzeiro, da instituição, foi o cara mais próximo de ter ganhado a Libertadores, também foi campeão da Copa do Brasil e do Mineiro com a gente. Não posso perder… Vou tentar citar alguns jogadores que estão sendo falados, criticados… acho que temos que mudar essa forma. Nosso time não vem ganhando e o torcedor sofre. Já citei ao torcedor que tenho esse sentimento, em casa eu torço como se fosse um cruzeirense desde pequeno. Eu aqui dentro, eu pela experiência que eu tenho, eu como jogador vitorioso que sou dentro dessa instituição, com todos os receios que eu tenho, não posso deixar de citar esses jogadores que são muito importantes, como Sassá. Acho que todos os jogadores têm a sua responsabilidade, a sua importância também nessa fase, mas é hora de mudar, o momento é agora, todos os jogadores conversam sobre esse momento, todos os jogadores têm os seus receios e sabem que podem render. Acho que, para essa reta final, todos os jogadores, desde o mais experiente, que é o Fábio, que é o mais vitorioso, tem mais jogos, até o mais menino, que é o Popó, tem o mesmo nível de responsabilidade.

Erros de passe

Então, cara, acho que sim, o erro de passe deu condições para o adversário sair em contra-ataque, e a gente vai melhorar isso.

Responsabilidade dos veteranos

Sim, citei essa responsabilidade, sei que os jogadores mais experientes, os com mais bagagem no Cruzeiro, temos a responsabilidade até de defender títulos que a gente carrega. Quando cito responsabilidade aos atletas, é de comprometimento com a gente mesmo, não de chegar no campo e botar a cara. Mas, assim, nos treinamentos nos ajudar, na hora que tiver oportunidade no jogo, se entregar o máximo. Sei que da responsabilidade que carrego, de muitos outros junto comigo, acho que no meu setor ali sou o cara que estou na frente. Vou assumir essa bronca, vou assumir, vou botar minha cara à tapa para defender até meus companheiros e quem estiver junto comigo para sair dessa situação.

Cobranças sobre os mais experientes

Faltar não fata (conversa, cobrança), porque a gente já teve várias conversas. Nós nos cobramos. Sabemos do que precisamos. É algo diferente que precisamos, não é só conversa. Acho que cada jogador precisa saber a capacidade que pode render, onde pode chegar. Por isso que acho que é bom ser lembrado. Vi que alguns posts de alguns torcedores muito inteligentes fazendo montagens do que a gente já viveu aqui, momentos de felicidade, é disso que a gente precisa. Encarar o adversário como se fosse lutando pela sobrevivência. Todos os adversários, hoje eu vejo que quem está acima na tabela está melhor do que nós, é time melhor do que o nosso, mas temos que reverter isso, temos que lembrar da capacidade de cada jogador. Nosso time jogou 22 jogos e tal e não perdeu. Até esconde um pouco do que a gente está vivendo. Temos sim que tocar na ferida do jogador, mas também falar o quando ele pode render, o quanto ele ajudar, o quanto ele pode dar alegria ao torcedor.  Mas eu acho que a gente vai melhorar, a gente vai fazer de tudo para botar essa confiança em cada jogador, tirar esse peso da cabeça, essa negatividade de cada jogador que estiver jogando perto de mim.

Postura de jogar

Acho que não é situação defensiva, acho que é ser seguro. Nosso time precisa também fazer gol, mas tem que ser seguro, ser inteligente, tem que ter orientação dentro de campo. É momento 100% alerta, não baixar guarda, e melhorar até voltar a confiança de ter essa saída de bola, uma condição de dentro de campo mais favorável pra nós.

Risco de queda para a Série B

A gente não vai deixar essa situação acontecer, se Deis quiser a gente vai sair dessa. É ruim ficar de fora, ver companheiros sofrendo dentro de campo, você não estar perto. É difícil ver tristeza no rosto dos nossos jogadores, do nosso torcedor, que viveu alegrias, viveu momentos de glória. Eu sei que podemos melhorar. Hoje está mal e amanhã não vamos ser o melhor. A coisa vai ser gradativamente. É ruim viver fase ruim, é ruim ser vaiado. Acho que gradativamente vai sair dessa situação, vai melhorando, vai mostrar coisas melhores ao torcedor, mas principalmente pra gente aqui dentro, a gente feliz aqui dentro transmite muitas coisas ao torcedor.

Semblante abatido na entrevista

Acho que não é momento de eu estar em alto astral. Não estou vendo meu companheiro em alto astral. Eu não joguei, mas não estou feliz em ver meu companheiro triste. Vou fazer de tudo e mais um pouco para ver o semblante da nação azul um pouco mais leve, com sorriso na cara, e acreditar um pouco mais na gente. Fazendo esses estádio lotar, apoiando a gente, e sair aplaudido de dentro do estádio.

Fonte: Superesportes – Conteúdo disponibilizado pela fonte via RSS/Feed


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