26 fev Destempero e raça: Componentes de um empate com sabor de derrota, mas nem tão ruim assim


“Nosso time foi juvenil!”. Com mais ou menos estas palavras o lateral direito Jonathan definiu o comportamento do Cruzeiro diante da equipe do Deportivo na partida válida pela 2ª rodada do Grupo 5 da Libertadores , que manteve o Cruzeiro na liderança do grupo   e, de forma isolada, a não ser que o Universitário de Sucre vença o Estudiante nesta quinta-feira em La Plata   (difícil né?).

No entanto, o resultado foi frustrante por uma série de fatores que vão além do comportamento juvenil do Wellington Paulista ao ser expulso e que merecem ser considerados. Vamos a eles:

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1) O Cruzeiro não aproveitou a greve dos jogadores adversários e a crise vivida pela equipe. Não se pode falar que o Cruzeiro não tentou a vitória em Quito, pois foi melhor que o adversário até ficar com 9 em campo. Mas o empate não é um bom resultado diante de uma equipe que se encontra neste cenário e mais fraca tecnicamente que a nossa em uma competição em que cada ponto crucial para definir a vantagem de decidir os confrontos em casa no mata-mata.

2) As expulsões de Wellington Paulista e Fabrício tiraram a partida do controle do Cruzeiro. Ao serem expulsos, os dois jogadores comprometeram a equipe e mostraram que o Cruzeiro ainda não está pronto para enfrentar a catimba das equipes sul-americanas. Ambas foram desnecessárias e a de Wellington Paulista foi digna do adjetivo juvenil utilizado por Jonathan. Com 9 em campo o Cruzeiro se viu obrigado a defender e rezar para o jogo acabar. Cabe ao Adílson, mais uma vez, buscar mostrar aos jogadores que eles devem controlar os ânimos e não entrarem na provocação dos adversários.

3) O Cruzeiro não soube administrar a partida após as expulsões. Os chutões para a frente não eram suficientes para impedir que a equipe do Deportivo Quito armasse um novo ataque e colocasse a meta do Fábio em perigo. Quanto tentou sair jogando, o Cruzeiro criou algumas oportunidades mesmo com um atleta a menos, como o cruzamento de Jonathan para Ramires que, se tivesse sido feito com capricho, teria definido o resultado a favor do Cruzeiro.

4) O Cruzeiro não matou a jogada do gol equatoriano e permitiu que um defensor avançasse sem marcação até a área do Cruzeiro para fazer o gol de empate aos 46 do segundo tempo. Naquele momento, uma expulsão a mais não faria a diferença e seria justificável, diferente das outras duas. A equipe foi inocente ao não parar o que era praticamente o último lance da partida de qualquer jeito.

Os fatores apontados acima mostram como o Cruzeiro teve a partida nas mãos, mas pecou em alguns pontos. O empate nos minutos finais e nas circunstâncias da partida deixou a torcida frustrada, mas o time apresentou alguns pontos positivos que devem ser destacados e servem para nos dar esperança de que o título é possível.

1) O Cruzeiro buscou a vitória fora de casa, o que não ocorreu no ano passado. Na partida contra o Caracas na Venezuela, no último ano, o Cruzeiro priorizou a defesa e só voltou com um empate. Na última Libertadores em 4 jogos fora de casa, o Cruzeiro empatou 2 e perdeu 2. O time pareceu, ao enfrentar a altitude e a desvantagem numérica em campo hoje, mais pronto para jogar em território inimigo.

2) A zaga foi muito bem hoje. Leonardo Silva mais uma vez foi seguro e afastou tudo que estava ao seu alcance, embora tenha perdido a disputa para o zagueiro equatoriano no gol de empate. Com dois zagueiros, o time não bate tanto a cabeça na defesa quanto no ano passado, nosso principal problema na última temporada.

3) Os jogadores que não perderam a cabeça com a violência dos jogadores equatorianos demonstraram raça e foram os grandes responsáveis pelo Cruzeiro ter dominado a maior parte da partida (Fabrício foi fundamental neste processo até ser expulso) e por ter resistido tanto tempo à pressão equatoriana. Ramires, Wagner, Thiago Ribeiro e Fernandinho, em especial, apanharam e não se intimidaram diante dos adversários. A qualidade do nosso time é o diferencial em uma competição em que a maioria dos times tem o adversário e não a bola como objetivo principal nas jogadas. Controlando os ânimos e usando esta característica a nosso favor, temos tudo para provocar expulsões nos adversários, assim como tem acontecido no Campeonato Mineiro.

O balanço acima demonstra que, se não foi o melhor resultado possível, o empate, embora frustrante, não foi tão ruim diante de algumas circunstâncias da partida. O Cruzeiro segue na liderança do grupo e dependendo apenas de si para se classificar em 1º ao término da primeira fase. Resta analisar com calma os acontecimentos desta partida e amadurecer para seguirmos firmes na caminhada rumo ao título. Até o momento, Palmeiras, Grêmio e São Paulo tiveram resultados piores que este empate e tem muito mais que questionar suas campanhas do que nós que voltamos a campo na próxima quarta-feira, desta vez contra o Universitário de Sucre, novamente na altitude, assunto para uma próxima coluna. Antes, o Cruzeiro, provavelmente de time misto, enfrenta o Ituiutaba no domingo pelo Mineiro, em partida que vale a manutenção da liderança isolada na competição, outro assunto para depois.

Saudações celestes.


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