01 jul O fantástico e misterioso departamento médico


O Cruzeiro vem demonstrado muitos problemas em 2016, que vão desde a incompetência da direção nas contratações, passando pela dificuldade dos treinadores em emplacar um esquema tático eficiente e vai até o sub-rendimento de boa parte dos jogadores. Mas existe um “inimigo” que vive no seio do nosso clube e nos enche de dúvidas sobre a qualidade do serviço prestado. O departamento médico celeste deve ser um lugar realmente maravilhoso, porquê quem entra, dificilmente sai. E de duas uma: se sair, demora bastante. Ou então volta rapidinho. Existe algo de podre nesse reino da Dinamarca e nosso papel, como torcedores, é questionar.

Não sou médico e, obviamente, não sou capaz de falar que Sérgio Freire Junior e sua equipe são incompetentes, tampouco posso fazer isso com os profissionais de fisioterapia. Mas algumas coisinhas a gente sabe, até por acompanhar futebol há tantos anos. E se um jogador tem uma lesão no joelho, seja uma ruptura de ligamento, um edema ósseo ou uma fratura, o tratamento não pode ser repouso, arnica e chá de boldo. Nós estamos falando de futebol profissional, milhões de reais que giram e fazem essa bola girar. O Cruzeiro é um clube de renome internacional, não pode ficar refém de um departamento médico que não consegue recuperar seus ativos.

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Com a saída de Rafael Silva, emprestado ao Figueirense, o plantel cruzeirense conta hoje com 32 jogadores, de acordo com o site oficial. Sem fazer uma busca adequada e recorrendo apenas à memória, boa parte dos atletas passou bastante tempo nesse oasis mágico da Toca 2. Manoel, Léo, Dedé, Mayke, Robinho, Marciel, Alisson, Marcos Vinícius, Élber, Judivan e Willian são alguns que já até receberam o cartão fidelidade, como clientes preferenciais. E o questionamento a respeito disso é muito pequeno, para não dizer inexistente. Ninguém parece cobrar nada, e se o faz, é internamente, com extrema discrição. O que é espantoso, pois em um clube que tem Benecy e Gilvan, as informações costumam fluir com muita facilidade para os microfones da imprensa.

Contextualizando historicamente, os problemas no DM fazem parte da história do Cruzeiro. Em 2006, após problemas com demora em recuperações e acusações de jogadores de supostos erros médicos, o clube demitiu os médicos Ronaldo Nazaré, Sérgio Freire e Carlos Pinon, além do fisioterapeuta Felipe Mindelo. Nada se explicou na ocasião, mas os procedimentos cirúrgicos passaram a ser realizados fora do clube. Essa medida foi revogada em 2016, com os profissionais do Cruzeiro sendo novamente responsáveis pelo atendimento aos atletas do clube. É importante deixar claro que as lesões de Dedé e Judivan, por exemplo, não foram realizadas exclusivamente por profissionais do clube. Se a responsabilidade dos procedimentos voltar aos médicos do clube é um acerto ou não, o tempo dirá.

O caso de Dedé é o mais impressionante, do ponto de vista negativo. Nosso zagueiro, a contratação mais cara da história do Cruzeiro, não consegue jogar regularmente desde 2014. Lesionado no dia 5 de novembro daquele ano, ficou 15 meses sem entrar em campo. Retornou em 2016, fez 5 partidas pelo clube, sofreu nova lesão mal esclarecida e, até hoje, seu retorno é uma incógnita. Judivan, atacante promissor da nossa base, recebeu entrada criminosa enquanto defendia a Seleção no Mundial sub-20, há um ano. Com diversas intervenções realizadas, ainda não voltou a treinar com o grupo. Sem falar em Alisson, que parece colecionar lesões mensalmente.

Culpar comissões técnicas e preparadores físicos não faz muito sentido, porquê em todas as mudanças de comissão, o problema se manteve. A lista é extensa, os problemas são recorrentes e uma auditoria profunda nesse processo seria muito bem-vinda para tirar as interrogações de nossas cabeças. Claro que as lesões acontecem no futebol, são inerentes ao jogo. Mas ter o elenco inteiro, disponível, em condição de treinar e jogar, é o primeiro passo para que o Cruzeiro saia dessa maré ruim que se abateu desde o bicampeonato, em 2014. Reage, Cruzeiro!

Foto: Reprodução/Instagram

Por: Emerson Araujo


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