17 set Precisamos combater os preconceitos no futebol


Segunda-feira pós-clássico e pré-quartas de final de Libertadores. Muito futebol a ser discutido nos programas esportivos e redes sociais, certo? Errado! O assunto mais comentado neste início de semana foram as manifestações homofóbicas da torcida do Atlético-MG durante o empate com o Cruzeiro no Mineirão. Os cânticos que diziam: “Ô Cruzeirense, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar viado”, se referindo ao candidato à presidência Jair Bolsonaro, que já se envolveu em polêmicas envolvendo a causa LGBT, revoltaram não só os torcedores atacados como fãs de todas as equipes do Brasil, incluindo grande parte dos atleticanos.

Só que diferentemente do que vem sendo dito por algumas partes em redes sociais, aquele ato não reflete uma minoria preconceituosa. E não digo da torcida do Atlético-MG e sim de todo o ultra preconceituoso universo do futebol, recheado de homofobia, machismo, racismo, xenofobia e inúmeras outras formas de discriminação. Esse não é um problema de alguns e muito menos da torcida atleticana. Essas atitudes nojentas vêm desde os gritos de “Bicha!” nos tiros de meta adversários, passando pelos apelidos ofensivos (Bambis, Marias, Frangas), até chegarem em manifestações de discursos de ódio como os ouvidos nas cadeiras do Mineirão, que troçavam e ameaçavam dos rivais, citando o assassinato de homossexuais, um problema gravíssimo e recorrente na sociedade brasileira, onde pessoas são mortas por outras pessoas apenas por terem uma orientação sexual diferente.

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A FIFA, a CBF, os clubes, as próprias torcidas, todos tem que tomar providências urgentes para erradicarem essas práticas dos campos de futebol, espaço sempre tão plural, de união de classes, cores, propagação de ideologias, mas que como toda paixão popular traz consigo ideais que nem sempre são corretos e aceitáveis. É absurdo, em pleno século XXI, tantas notícias de racismo envolvendo futebol em todo o mundo, apelidos que diminuem mulheres, cânticos que incitam o ódio e atacam orientações sexuais distintas. Mas é mais cômodo para os líderes da bola, tão ou mais preconceituosos e antiquados quanto as torcidas, ignorar e fingir que isso é algo normal. Não é e nunca será!

O Atlético-MG tem que ser severamente punido, como foi o Grêmio em 2014 pelas injúrias raciais da sua torcida destinadas ao goleiro Aranha, na época, atleta do Santos. Os noticiários têm que ser recheados de comentários sobre futebol, não de situações como as vistas ontem nas arquibancadas do Mineirão. E a forma de limpar as manchetes esportivas desses tipos de manifestação não é ignorar e sim erradicar!!!

Que medidas sejam tomadas e que a sociedade evolua. Quem tem que ser morto é o preconceito.

Guerreiro dos Gramados. Nossa torcida, nossa força!

Por: Maic Costa

Esse texto pode ser encontrado também no site maisminas.org.


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